Início Entrevista Saiba mais sobre o Constantinople, novo hard fork da rede Ethereum

Saiba mais sobre o Constantinople, novo hard fork da rede Ethereum

714
0
Saiba mais sobre o Constantinople, novo hard fork da rede Ethereum

Como tem noticiado o Criptomoedas Fácil, os desenvolvedores do Ethereum já estão implementando o código para o Constantinople, a próxima atualização em todo o sistema da rede da segunda maior criptomoeda do mercado. Embora possa parecer uma simples atualização, convém notar que Constantinople será um hard fork, ou seja, uma implementação que, obrigatoriamente, deve ser adotada por todos aqueles que executam um nó na rede, provedores de serviços, entre outros.

Esta é uma segunda parte de uma série de atualizações para tornar a rede do Ethereum mais eficiente e menos dispendiosa em termos de taxas. O Constantinopla será ativado antes da conferência de Ethereum, chamada Devcon4, que acontecerá em outubro, de acordo comunicados da última sexta-feira, 27 de julho.

E, para que os leitores do Criptomoedas Fácil acompanhem este movimento de perto e entendam a importância desta ação, entrevistamos Solange Gueiros, especialista em Ethereum, desenvolvedora e instrutora da Blockchain Academy. Gueiros conversou conosco enquanto finalizava o conteúdo das aulas que vai ministrar no curso básico sobre Ethereum para desenvolvedores, nos dia 04 e 05 de agosto, na sede da Blockchain Academy, em São Paulo. Os interessados podem acessar o link para mais informações.

A especialista destacou a importância desta atualização e os benefícios que ela pretende trazer para a blockchain do Ethereum.

Criptomoedas Fácil: O que é o Constantinople?

Solange Gueiros: Constantinople é o segundo de uma série de upgrades que começou com o lançamento da versão Byzantium no bloco 4.370.000, em outubro de 2017. O objetivo do Byzantium foi melhorar a privacidade, a escalabilidade e os protocolos de segurança da rede Ethereum. Byzantium e Constantinople fazem parte da versão Metropolis. Constantinople foi projetado para ser uma transição para uma futura atualização chamada Casper, onde o Blockchain Ethereum será definido por “proof-of-stake” (prova de participação).

CF: O Constantinople, então, já vai trabalhar com PoS?

SG: Atualmente, utiliza-se “proof-of-work” (prova de trabalho), onde mineradores competem na validação dos blocos utilizando o poder de processamento dos computadores para resolver uma prova matemática. “Proof-of-stake” é um conceito de recompensa onde um nó de mineração deve provar que possui acesso à determinada quantidade de moedas para participar de um sorteio aleatório para decidir quem será o criador do próximo bloco. Quem tiver mais moedas tem mais chances de ser o criador/sorteado.

Tecnicamente falando, Constantinople não transformará o Ethereum em uma blockchain “proof-of-stake”, mas vai proporcionar um mecanismo híbrido para verificação de transações, baseado na quantidade de Ether que o minerador possui e que está disposto a colocar em jogo. Lembrando que Ether é a criptomoeda da blockchain do Ethereum.

Interessante notar que os últimos comunicados oficiais da Ethereum Foundation não apresentaram mais informações sobre a parte do projeto inicial do Constantinople relacionada à transição para “proof-of-stake”.

CF: Os desenvolvedores têm dito que o Constantinople vai ativar determinados EIPs, o que são?

SG: Nos comunicados oficiais da Ethereum Foundation foi revelado que algumas das atualizações estão em fase de implementação e outras programadas para acontecer ainda no Constantinople. Estas propostas são chamadas EIPs: ethereum improvement upgrades.

Esta são os principais “EIPs”:

EIP 210: reorganiza a forma como os hashes dos blocos são armazenados;

EIP 145: aumenta a velocidade aritmética na EVM (Ethereum Virtual Machine);

EIP 1014: adiciona canais de status no Ethereum;

EIP 1052: altera a maneira que os smart contracts interagem entre si.

Estes EIPs revelam o objetivo de tornar a rede mais eficiente e com taxas mais acessíveis. Foi sugerido um “roadmap” para o Constantinople, onde a fase atual de implementação vai até 13 de agosto, e depois disto será lançada uma rede de testes específica para a versão.