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Relatório afirma que 71% das ICOs não entregam produtos reais

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Relatório afirma que 71% das ICOs não entregam produtos reais

Um recente relatório publicado pela empresa de auditoria Ernst & Young (EY), uma das maiores empresas do setor no mundo, afirmou que as ofertas iniciais de moeda (ICOs, na sigla em inglês) que levantaram capital em 2017 não foram tão bem. Um ano depois, 71% dos projetos não têm nenhum produto no mercado.

O relatório, intitulado “The Class of 2017“, analisa os mesmos projetos que a empresa analisou pela primeira vez em dezembro de 2017. A amostra reuniu mais de 141 ICOs, que representam 87% do total do valor arrecadado pelo formato de financiamento naquele ano.

Números alarmantes para as ICOs

Um ano depois, as estatísticas da EY são fortes. 86% dos tokens do projeto são atualmente negociados abaixo do preço listado inicialmente. 30% perderam “substancialmente todo seu valor”. No geral, o relatório afirma que “um investidor que comprou ativos que estão no The Class of 2017 ICOs em 01 de janeiro de 2018 perdeu cerca de 66% de seus investimentos”.

Além dos retornos de investimento, a EY também analisou o desenvolvimento de produtos ou protótipos funcionais. Ela constatou que apenas 29% das ICOs tiveram sucesso – um aumento de apenas 15% em relação ao final do ano passado.

Dos projetos que já estão na fase funcional, sete deles declararam aceitar moedas fiduciárias para o pagamento dos seus tokens. Para a EY, trata-se uma decisão que “reduz o valor” dos tokens dos investidores. Uma delas até relatou ter parado de aceitar pagamentos via tokens em definitivo. Muitos desses projetos, segundo a EY, irão:

“Abandonar seus investidores das ICOs, deixando de enfatizar o papel de seus tokens […], projetos que aceitam fiat geralmente oferecem alguns benefícios para os usuários de tokens, semelhantes aos pontos nos programas de fidelidade. No entanto, os usuários não usam tokens para armazenar valor. Para usar a plataforma, os usuários precisam comprar o valor necessário e incorrer em custos de transação e risco de volatilidade no valor do token.”

Novos desafios

A EY apontou um outro desafio para esses projetos.

“Para tornar-se um meio de pagamento, os tokens de utilidade precisam ser estáveis. No entanto, um token com valor estável é de pouco interesse para os investidores especulativos.”

A empresa de auditoria constatou que apenas 10 tokens na lista tiveram algum ganho. Estes, segundo a empresa, estão “em grande parte” na categoria de infraestrutura de blockchain, como Waves e Tezos. No entanto, esse crescimento fez pouco para desafiar o “domínio” da plataforma Ethereum (ETH), argumenta a EY.

Paul Brody, líder global em inovação da tecnologia blockchain da EY, disse ao The Globe and Mail em entrevista: “isso parece pior do que pensávamos”. Ele comparou o cenário das ICOs com a bolha pontocom no final dos anos 90. Brody destacou como exemplo o site Pets.com, que tornou-se um dos símbolos da bolha:

“Pelo menos no Pets.com você podia comprar comida para animais de estimação, ele tinha um negócio de verdade, um produto.”

De fato, diversas ICOs foram lançadas sem oferecer qualquer tipo de serviço ou produto em troca. Muitos investidores perderam e perderão somas fantásticas de dinheiro. Como um mercado ainda em estágio inicial, é preciso ter muito cuidado antes de investir em qualquer projeto que prometa “revolucionar” o mundo.

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