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NIBS 2018: evento na Bahia tem blockchain e criptoativos em sua programação

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Neste último final de semana, foi realizada a segunda edição do Nave de Inovação Bahia Sustentabilidade (NIBS), e a programação proporcionou um grande destaque para as palestras sobre criptoativos e blockchain.

O NIBS aconteceu na cidade de Ilhéus, que já foi a maior exportadora de cacau do mundo e hoje tem destaque como pólo de tecnologia na região sul do estado da Bahia. A união entre os setores de tecnologia e chocolate esteve presente em todo o evento, com palestras voltadas para ambos setores e para muitos outros.

Chocolate, turismo e Bitcoin

O NIBS 2018 reuniu mais de 30 palestras, painéis e atividades, durante os três dias do evento. A programação foi dividida em seis setores: Tecnotalk, Chocotec, Fórum de Turismo da Costa do Cacau, Startup, Empreendedorismo e o Hackathon. Cada um dos setores contou com palestras e painéis que trouxeram discussões sobre temas locais, como a produção de cacau e soluções para o incentivo ao turismo local, como também para temas de alcance global, como ativismo, Internet das Coisas (IoT) e processamento de dados.

Além da programação de palestras, o evento contou também com exposição de stands, na qual estavam presentes diversas empresas locais. Os stands trouxeram produtos clássicos da cidade, como o chocolate e as cervejas artesanais feitas de cacau, assim como stands de órgãos governamentais de turismo e tecnologia. Esses stands fizeram parte da Feira Nave, uma exibição completa de negócios voltados para os temas de turismo, inovação e economia criativa.

Juntamente com a programação de palestras e painéis, foi realizada a competição de hackathon +Ilhéus. Nesta edição, profissionais de TI, designers e desenvolvedores se reuniram em uma maratona de 24 horas para desenvolver aplicações, projetos e soluções que facilitassem a participação cidadã e a inovação local. E os participantes não se restringiram ao mundo da tecnologia: vários projetos tinham como objetivo impactar o turismo local e desenvolver as comunidades quilombolas da região. No final do evento, as equipes participantes realizaram pitches para apresentar seus projetos, concorrendo ao prêmio de R$750 para o vencedor.

Blockchain em destaque

O NIBS contou com mais de 30 palestras no total. E o segmento de criptoativos e Blockchain representou uma porcentagem significativa desse número: aproximadamente 15% do conteúdo, concentrado no painel de tecnologia (Tecnotalk).

Dentro do Tecnotalk, a representação do tema foi igualmente expressiva: das 14 palestras, 4 delas foram sobre criptoativos ou tiveram alguma relação. Desde palestras mais introdutórias sobre o surgimento da blockchain e criptoativos até a sua relação com outros tipos de tecnologias, e mesmo o uso da blockchain para mudanças nos conceitos de governança.

Outras palestras de destaque foram a palestra introdutória sobre Bitcoin, ministrada por Rafael Noguerol, do setor de marketing e operações da exchange brasileira Walltime, que também realizou sorteio de duas paper wallets, e a palestra sobre regulamentação e impostos sobre cripomoedas, ministrada pelo advogado e vendedor P2P Murilo Valadares.

Segundo Frank Farias e Gabriel Siqueira, curadores do evento, a programação sobre blockchain atendeu totalmente as expectativas ao conseguir abordar um tema que ainda possui muita incerteza e desconhecimento ao seu redor.

“Tivemos mais de 30 palestrantes e o tema bitcoin e blockchain fez parte de pelo menos 15% do conteúdo, além de 500 a 700 pessoas que assistiras às palestras durante os três dias do evento. Notamos um interesse acima da média para a blockchain já que todas as palestras foram realizadas no palco principal e mesmo com outras em paralelo tivemos uma boa média de público, sendo assim devemos manter ou aprofundar nesse ambiente em 2019”, afirmou Frank Farias.

“O tema bitcoin e blockchain já era uma tendência em crescimento no ano passado, quando realizamos a primeira edição do NIBS, só que não tínhamos incluído nenhuma palestra específica sobre o tema no ano passado. Nessa edição, resolvemos colocar temas que falassem não apenas sobre criptomoedas, mas sobre outros usos da tecnologia blockchain. Com isso, aprendemos muitos sobre o assunto e trouxemos para Ilhéus e para o mundo a oportunidade de aprofundar diversas discussões, inclusive sobre as implicações legais sobre o uso de criptomoedas, assim como o uso do Blockchain em áreas como a democracia, por exemplo”, disse Gabriel Siqueira.

Siqueira também destacou a programação de blockchain dentro do hackathon, que contou com dois dos cinco temas: o Blockchain hack the bank! – criar soluções bancárias e de pagamento com blockchain – e o Blockchain hack the status quo! – criar soluções de representatividade, inclusão social e empoderamento com blockchain.

“Ter dois produtos com blockchain no hackathon nos deixou muito felizes, pois além de termos contribuído para estudos sobre o que podemos fazer com essa ferramenta mais colaborativa, também vimos na prática isso acontecer”, finalizou.

Blockchain e democracia

Uma das palestras de destaque foi realizada por Paula Berman.Berman é diretora de projetos na Democracy Earth Foundation, organização que tem como objetivo utilizar a tecnologia Blockchain para aperfeiçoar o processo de representação democrática em governos e eleições nacionais. Ela falou no NIBS sobre os impactos geopolíticos que a blockchain pode desempenhar no mundo.

Ao conversar com o Criptomoedas Fácil, Berman destacou a qualidade do evento e a perspicácia dos organizadores em reunir pessoas que “estão construindo o que há de mais inovador no país”. Ela também falou sobre os planos futuros da Fundação, que incluem a realização de um processo eleitoral totalmente online na Venezuela – algo que já aconteceu na eleição presidencial de Serra Leoa, que se tornou a primeira a ser feita com o uso da blockchain.

“A diáspora na Venezuela já é maior do que a da Síria. Nós vamos fazer uma eleição online, com democracia líquida, para que todos possam participar”, afirmouBerman sobre o projeto.