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Maior banco do Reino Unido busca patente para criação de stablecoin

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Maior banco do Reino Unido busca patente para criação de stablecoin

O Reino Unido parece ter despertado o ânimo de suas principais empresas para colocar o país como um grande player no desenvolvimento de aplicações em criptoativos e blockchain. A onda, agora, chega até o Barclays, o maior banco do país.

Segundo o portal de notícias CCN, o banco britânico solicitou três patentes ao Escritório de Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês), as quais descrevem coletivamente um sistema que utiliza a tecnologia blockchain para combinar a privacidade das criptomoedas com o sistema financeiro tradicional e suas políticas de conhecimento de cliente (KYC, na sigla em inglês) e de combate à lavagem de dinheiro (AML, na sigla em inglês).

O Barclays, sediado em Londres, solicitou pela primeira vez as três patentes em julho de 2016, mas elas foram publicadas pelo USPTO apenas nesta quinta-feira, 19 de julho, quase dois anos após o pedido inicial.

Criar e destruir

Em uma das patente, o Barclays propõe um sistema que permite que usuários específicos da rede criem e destruam unidades de moeda digital em uma rede blockchain. Esses usuários – que podem ser um banco central ou outra instituição financeira – são capazes de alterar a oferta monetária da moeda usando “chaves secretas de emissor de moeda” especiais, o que lhes permite adicionar novas unidades de moeda ao livro-razão da rede, e outras chaves conhecidas como “segredo destruidor de moeda”, que os autorizam a remover unidades específicas de moeda.

Os autores das patentes explicam que tal sistema poderia ser usado para permitir aos usuários depositar fundos em um banco ou outro serviço de conversão de moedas e convertê-los em moeda digital, depois retirá-los da contabilidade – tudo isso sem alterar o equilíbrio entre o valor total da moeda no sistema monetário digital e em todos os outros sistemas monetários.

Em outras palavras, o Barclays parece vislumbrar uma stablecoin de escala fixa como a base de sua rede blockchain.

“As unidades da moeda digital podem ser definidas para qualquer forma de unidade monetária (por exemplo, pode ser definida como uma unidade de moeda fiduciária, como dólares americanos, euros, libras esterlinas, etc.), de forma que a moeda digital representa uma forma alternativa de manter e gastar uma moeda fiduciária. Isso pode ter vantagens, na medida em que a moeda digital não flutue de valor em relação à moeda fiduciária na qual estiver lastreada”, afirma um trecho da patente.

A função “destroy” também pode ser usada para substituir fundos não gastos apontando blocos antigos no livro-razão com saídas em novos blocos, permitindo que o mesmo descarte blocos antigos e reduza a quantidade de espaço de armazenamento necessário para operar um nó, o que pode evitar sobrecarga de espaço nos blocos.

Por fim, essa ferramenta pode ser usada para facilitar a apreensão de fundos que possam ser usados em atividades fraudulentas ou outras atividades criminosas. No entanto, embora essa função seja um benefício para as instituições preocupadas com o cumprimento das regulamentações contra lavagem de dinheiro, ela talvez possa gerar preocupações entre os consumidores, pois pode envolver o risco de apropriação indevida de fundos da rede.

Interação de KYC com blockchain

As outras duas patentes descrevem como essa rede blockchain pode ser usada para aprimorar a segurança e a eficiência da verificação de identidade (KYC) e outros processos que envolvem informações confidenciais.

De acordo com o sistema proposto, um ou mais terceiros podem atestar, individual ou coletivamente, a identidade ou a reputação de outro usuário na rede, como um detentor de carteira com criptomoedas.

Um exemplo clássico disso são os serviços que são obrigados por lei a restringir o acesso a usuários acima de uma certa idade. Ter que realizar a verificação de idade com cada serviço não é apenas demorado, mas também aumenta a probabilidade de informações pessoais confidenciais caírem nas mãos de hackers.

No sistema proposto pelo Barclays, um usuário pode fazer certas confirmações ao realizar transações na rede – por exemplo, que ele ou ela tem idade suficiente para comprar um item com a restrição de idade imposta pelo estabelecimento. Se o usuário já realizou a verificação de idade com outro terceiro confiável – sua instituição bancária principal ou outro estabelecimento, por exemplo – o vendedor pode verificar isso por meio da “árvore de reivindicações” da blockchain, eliminando a necessidade de ter que refazer a verificação de idade.

Além disso, os usuários poderiam registrar-se para carteiras de criptomoedas na rede utilizando o mínimo de seus dados pessoais e passar por uma verificação KYC de uma só vez, conforme necessário, para realizar transações com outros usuários que lidam com produtos ou serviços restritos.

Dependendo da sensibilidade desses dados, as declarações verificadas também podem ser ocultadas por criptografia, garantindo que apenas determinadas entidades possam acessar as informações do usuário através da rede.

Em última análise, o banco prevê que tal sistema poderia ser usado para verificar a integridade de uma miríade de reclamações, desde privilégios de obtenção de crédito até a propriedade de dispositivos da Internet das Coisas (IoT) e a autorização desses dispositivos para transações com criptomoedas.

Benefícios a empresas e consumidores

O Barclays – uma instituição financeira multinacional com dezenas de milhares de funcionários trabalhando em escritórios localizados em todo o mundo – argumenta que esse sistema beneficiará não apenas os consumidores, mas também os atores em toda a cadeia de fornecimento de serviços econômicos.

Em um nível básico, os bancos e os comerciantes gastariam menos tempo em conformidade com políticas de KYC e AML, reduzindo a sobrecarga e simplificando suas operações internas. Também poderão melhorar a segurança dos dados, uma vez que o volume de informações pessoais de instituições individuais seria muito menor do que no presente.

“Isso pode resultar em aprimoramento da segurança, a tomada de melhores decisões de risco e uma oportunidade financeira para o papel operacional que eles podem desempenhar no varejo e outras transações”, escreveram os autores de patentes. “Os bancos, em particular, podem se beneficiar com uma redução significativa no processamento (por exemplo, processamento de computadores) e dos custos financeiros de manutenção de sistemas de registro, o que pode fornecer o exame necessário para órgãos reguladores e outros agentes”, finalizaram.

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