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Liberdade, inovação, riqueza e educação; Bitcoin completa 10 anos

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Liberdade, inovação, riqueza e educação; Bitcoin completa 10 anos

31 de outubro de 2008. O último dia do mês de outubro, daquele ano, ficará gravado na história da computação para sempre. Assim como o ano de 2008 ficará marcado na história financeira mundial.

E ambos marcos se complementam. Afinal, a crise que marcou aquele ano influenciou diretamente no evento que marcou o dia 31 de outubro. Nesse dia, um autor desconhecido divulgou, para uma lista de email, um documento de pouco mais de 10 páginas que marcou o surgimento da principal criptomoeda do mercado: o Bitcoin.

Hoje, o impacto do Bitcoin é sentido no mundo inteiro. Portanto, falar sobre isso não é o objetivo desse texto. Aqui vamos falar sobre o contexto de surgimento da criptomoeda, seus principais usos e também sobre a grande invenção de Satoshi Nakamoto: a blockchain.

Contexto

2008 foi um ano que pode ser considerado fundamental no sistema financeiro. Um mês antes de Satoshi Nakamoto revelar ao mundo o Bitcoin, o mundo sentia o choque de outra revelação: a quebra do banco norte-americano Lehmann Brothers.

A quebra do banco foi o estopim da crise financeira ocorrida naquele ano – a mais grave desde a Grande Depressão. Foi durante essa crise que ocorreu o maior programa de socorro ao sistema financeiro na história. Diversos bancos foram socorridos pelos governos ao redor do mundo, através do dinheiro de impostos da população. A crise logo se tornou sistêmica, atingindo bancos da Europa e de outros mercados.

Foi com esse contexto em mente que Satoshi Nakamoto (cuja identidade ninguém conhece até hoje; sequer sabemos se foi uma pessoa ou um grupo) anunciou a criação do Bitcoin, no dia 31 de outubro de 2008. O email de lançamento, enviado as 18hs10 daquele dia, trouxe a já clássica frase:

“Eu estive trabalhando em um novo sistema de dinheiro eletrônico totalmente peer-to-peer, sem nenhum terceiro de confiança.”

O e-mail, que continha o link para o whitepaper do Bitcoin, preparou caminho para o lançamento do bloco-gênese da criptomoeda, três meses depois. E como que para revelar suas intenções, Satoshi anexou ao bloco a famosa capa do jornal The Times, de 03 de janeiro de 2009 (data de lançamento da rede do Bitcoin).

A capa, mostrada abaixo, trazia o ministro das finanças do Reino Unido (chamado pomposamente de Chanceler do Exchequer) solicitando um segundo resgate aos bancos.

Objetivo

O Bitcoin surgiu exatamente como um contraponto à essa prática de resgate governamental de grandes bancos. A crise de 2008 mostrou o quão fraco é o controle que temos sobre o nosso dinheiro – e o quão frágil ele é.

O próprio Satoshi expõe, já na introdução do whitepaper, a fraqueza que ele identificou nesse sistema e o motivou que o levou a criar o Bitcoin: a centralização.

“O comércio pela Internet depende quase que exclusivamente de instituições financeiras servindo como intermediários confiáveis para processar pagamentos eletrônicos. Enquanto o sistema funciona bem o suficiente para grande parte das transações, ainda assim ele sofre da fraqueza inerente desse modelo baseado em confiança”, afirmou Satoshi.

A ideia de um dinheiro virtual, aliás, estava longe de ser inovadora. Afinal, nomes como David Chaum, Wei Dai e Nick Szabo, entre os anos 1980 e 1990, já propunham uma moeda que pudesse ser usada exclusivamente na internet. Entretanto, nenhuma das propostas anteriores ao Bitcoin conseguiu solucionar o problema do gasto duplo ou da centralização.

Satoshi Nakamoto resolveu ambos, através da verdadeira inovação criada por ele: a tecnologia blockchain. Embora jamais tenha usado esse nome no seu artigo, ele a descreveu como uma rede de nós responsáveis por validar as transações da rede. Essa rede era vista por Satoshi como uma grande teia de computadores (que atualmente conta com cerca de 10 mil nós em todos o mundo) que funcionariam de forma independente entre si.

Dessa forma, e ao contrário de um sistema centralizado que pode ser derrubado com um ataque a um único servidor, a rede de blocos não possui um ponto central de falha. Caso um dos nós seja derrubado, a rede continua funcionando perfeitamente. E quanto mais nós e mais pressão a rede recebe, mais forte contra ataques ela permanece. Em seus 10 anos, o Bitcoin se tornou a primeira moeda da história a incorporar a antifragilidade de Nassin Taleb: um dinheiro que se torna mais forte à medida que recebe mais ataques.

Essa rede descentralizada também permitia a realização de registros de informações de forma rápida, a custo baixíssimo e com alta segurança. Qualquer registro efetuado em blockchain não pode ser alterado por uma pessoa ou grupo, o que garante que as informações ali contidas não serão fraudadas. Esse valor se mostrou de grande valor para o impulso na procura pelo Bitcoin nos anos seguintes.

Do Silk Road…

Por ter se originado de um movimento underground, o Bitcoin passou anos sendo visto como uma invenção excêntrica de nerds. Durante os primeiros dias, a rede consistiu basicamente de Satoshi e seu computador, minerando blocos de 50 bitcoins a cada 10 minutos.

Em 12 de janeiro de 2009, 9 dias depois do bloco-gênese ser lançado, é feita a primeira transação da rede. Satoshi enviou 10 bitcoins para o programador Hal Finney, no bloco 170. Embora tenha sido um marco, o Bitcoin ainda não possuía qualquer valor até então.

Isso mudou em outubro do mesmo ano. No dia 05, a bolsa New Liberty Standart registrou uma venda de 5050 Bitcoins pela quantia extraordinária de… US$5,02. Formava-se, então, o primeiro preço da história para o Bitcoin: US$1 equivalia a 1006 Bitcoins.

Mas o grande salto da criptomoeda ocorreu quando um determinado site passou a utilizá-la como forma de pagamento para seus produtos. Falamos, claro, do Silk Road. O famoso site de venda de drogas ilegais na Deep Web, fechado em 2013, utilizou a criptomoeda para se livrar dos boicotes feitos pela administradora de cartões Visa.

Foi a partir deste momento que o Bitcoin passou a se livrar do título de “moeda de nerds” e ganhou uma nova (e desagradável) alcunha: a “moeda do crime”. Por muitos anos, o Bitcoin ficou marcado pela associação com o site. O preço da moeda, que chegou a passar dos US$1.000 ainda em 2013, caiu vertiginosamente quando o site foi fechado. Por mais de 700 dias, o preço do Bitcoin não recuperou os patamares dos US$1.000.

Até a entrada de novos players e a chegada de um ano marcante para a história do Bitcoin: 2017.

… ao mainstream

Se de 2014 até 2016, o Bitcoin experimentou um limbo que quase o guiou para a irrelevância, 2017 foi o ano que colocou a criptomoeda nos holofotes de todo o mercado.

O primeiro destaque vai para o uso prático da criptomoeda. Aprofundando um movimento que surgiu desde 2014, a Venezuela mergulhou numa crise econômica sem precedentes. O dinheiro imediatamente perdeu o seu valor, o que fez as pessoas migrarem para novas formas de transacionar valores.

Nesse cenário, o Bitcoin tornou-se o principal atrativo para a população do país. Com energia barata e uma economia em colapso, os venezuelanos começaram a arriscar suas vidas para minerar a criptomoeda. Essa atividade se transformou em uma grande fonte de renda extra, em forma de moeda forte, para boa parte dos cidadãos.

Mas quem não podia minerar não ficou de fora. Ao ver que a criptomoeda era uma forma de proteger sua riqueza mais eficiente do que o esfacelado bolívar, a população do país começou a comprar critomoedas. Isso aumentou a demanda por esse ativo – que também aumentava no mundo inteiro – e contribuiu para sua valorização.

Mas não foi apenas o Bitcoin que tornou-se conhecido. A tecnologia blockchain também começou a ser estudada e aplicada em diversas empresas. Pelo seu caráter de imutabilidade e transparência, ela passou a ser buscada por empresas e até mesmo governos. Os setores atuantes são os mais diversos: entregas, rastreamento de alimentos, realização de auditorias empresariais, e muitos outros.

Até mesmo governos e políticos já fizeram uso da tecnologia. Candidatos a cargos eletivos registraram informações em blockchain, governos buscam entendê-la e usá-la para melhorar sua infraestrutura, e países já cogitam – ou implementaram de fato – lançar suas criptomoedas nacionais.

Mercado financeiro abraça o Bitcoin

Com esses avanços, o preço do Bitcoin cresceu continuamente. Em 2017, a criptomoeda chegou a se valorizar mais de 1000% – e chamou a atenção de todo o mercado financeiro.

Aos poucos, grandes bolsas de negociação de ativos voltaram seus olhos para a “moeda dos nerds”, outrora vista apenas como uma ferramenta para “lavagem de dinheiro e compra de drogas”. As primeiras a darem esses passos foram as bolsas de Chicago, nos Estados Unidos. A Chicago Board and Option Exchange (CBOE) e a Chicago Mercantile Exchange (CME) foram as primeiras a lançarem contratos futuros lastreados em Bitcoin.

Antes delas, o Japão tomou diversas medidas para facilitar o desenvolvimento do mercado de criptomoedas como um todo. Com uma regulação amigável e favorável ao desenvolvimento de empresas, o país logo se tornou um paraíso para as criptomoedas. Sua regulação, inclusive, inspirou até mesmo o Brasil.

Outra bolsa que passou a estudar as criptomoedas foi a Nasdaq, a bolsa de ações norte-americana relacionada à tecnologia.m Ela passou a fornecer negociações em criptomoedas recentemente, abrindo caminho para atividades mais amplas no futuro.

E a notícia mais recente – e o lançamento mais esperado nos próximos meses – veio da maior bolsa do mundo, a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A empresa anunciou a criação da Bakkt, startup que negociará e realizará a custódia de Bitcoin.

Cursos e literatura

O desenvolvimento do mercado não se resumiu ao aspecto financeiro e de lucros aos investidores. À medida que a tecnologia das criptomoedas tornou-se famosa, aumentaram o número de estudos sobre o tema.

Muita coisa mudou nesses 10 anos. Até 2013, era muito difícil encontrar material sobre o tema. Mesmo em inglês, a existência de estudos embasados sobre blockchain, criptoativos e tudo o mais era praticamente inexistente.

Hoje, a quantidade de livros e cursos que temos sobre o assunto já é suficiente para que os leigos possam aprender sobre essa revolucionária tecnologia. E esses materiais abrangem vários temas, desde o básico sobre o mercado até temas como a regulamentação de ativos e a discussão sobre a posição de bancos centrais quanto ao Bitcoin.

Falando em bancos centrais, essas instituições também já produzem farta literatura sobre criptoativos em geral. Relatórios e pesquisas mostram que o interesse nesse mercado, especialmente nas modalidades de blockchain e ofertas iniciais de moedas (ICOs) crescem mesmo com o mercado em estagnação neste ano.

Conclusão

De uma moeda criada e adorada por um grupo de nerds revolucionários, o Bitcoin as poucos mostrou o seu real valor como um instrumento de inovação e como uma maneira de se proteger contra crises e tiranias de governos autoritários.

A tecnologia blockchain, a real inovação por trás do Bitcoin, despontou como uma ferramenta que possui diversos usos fora as transações financeiras, e muitas empresas já exploram o seu potencial para criar registros seguros e imutáveis.

Em 10 anos, o Bitcoin criou um mercado de crescente inovação e enorme potencial de transformação social. Por tudo isso, damos os parabéns a Satoshi Nakamoto pela primeira década completa da realização de sua visão – uma visão que se mostra além do alcance das mais otimistas previsões futuristas.

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