Início Coluna Barão do Bitcoin Inovações do Bitcoin: Conheça 5 iniciativas que prometem melhorá-lo

Inovações do Bitcoin: Conheça 5 iniciativas que prometem melhorá-lo

911
0
Inovações do Bitcoin: Conheça 5 iniciativas que prometem melhorá-lo

“Devagar e sempre” é um ditado que combina bem com o processo de desenvolvimento tecnológico do Bitcoin. Devido a natureza aberta e descentralizada deste ativo digital, qualquer mudança em seu protocolo carece de muita discussão e testes antes que seja efetivamente implementada.

Apesar de não ser uma tarefa trivial, os desenvolvedores que trabalham no código do Bitcoin Core (a principal implementação de software utilizada pelos usuários) são bastante ativos e estão sempre tentando aperfeiçoar a invenção de Satoshi Nakamoto. Além deles, existem também outros desenvolvedores que estão desenhando soluções de escalabilidade ou instrumentos financeiros em cima do Blockchain do Bitcoin e que merecem destaque devido ao potencial dessas propostas.

Conheça algumas das principais inovações, não necessariamente em ordem de importância, que estão sendo desenvolvidas no Bitcoin:

1) SegWit

Se você acompanhou a “novela mexicana” sobre o debate de escalabilidade que acometeu o Bitcoin em 2017, deve lembrar do termo SegWit, que significa Segregated Witness (Testemunha Segregada, em tradução livre). Trata-se, talvez, da maior modificação já feita no protocolo do Bitcoin.

O SegWit é muitas vezes visto como uma solução de escalabilidade para a rede do Bitcoin, pois ao segregar das transações o pedaço de informação conhecido como “witness data”, ele permitiu reduzir o peso em bytes das transações. Além disso, blocos de transações que contêm transações SegWit possuem um limite maior de transações que podem carregar. (Se você quiser uma explicação técnica e minuciosa sobre esse tema, vale a pena ler este artigo em inglês de Jimmy Song).

Mas não foi só isso que o SegWit proporcionou à rede do Bitcoin. Ele também resolveu um sério problema de maleabilidade nas transações, ou seja, um tipo de ataque que permite que uma pessoa altere o ID único de uma transação Bitcoin antes da confirmação na rede. No caso das exchanges de Bitcoin, esse ataque pode ser usado para fazer um depósito duplo ou um saque duplo. Por fim, e não menos importante, o SegWit permitiu que soluções de escalabilidade de segunda camada, como a Lightning Network (leia sobre isso abaixo), pudessem sair do papel.

O SegWit foi ativado na rede do Bitcoin em agosto de 2017. Desde então, as exchanges e carteiras vêm trabalhando para implementar o código em seus sistemas. No gráfico abaixo, vemos a evolução do percentual de pagamentos realizados na rede do Bitcoin que foram feitos usando a tecnologia. Podemos notar que, pelo menos desde maio de 2018, cerca de 40% da rede vem utilizando transações SegWit e contribuindo para a redução das taxas de transação da rede.

Será que conseguiremos chegar até o final do ano com 60% ou 70% de utilização? Fica a pergunta.

 

2) Lightning Network

A Lightning Network (LN) é considerada uma tecnologia de segunda camada que visa a permitir que micro ou até mesmo nano-transações de Bitcoin sejam feitas de forma instantânea e a um custo inexpressivo. Isso quer dizer que um usuário poderá enviar 0.00000001 Bitcoin para outra pessoa, coisa que hoje em dia é possível de ser feita na rede do Bitcoin, mas é economicamente inviável, pois a taxa da transação é superior ao valor que está sendo enviado.

A forma como a LN funciona envolve algo que chamamos de canal de pagamento. Duas pessoas podem, por exemplo, abrir um canal de pagamento e registrar isso no Blockchain do Bitcoin. Por exemplo: João e Maria abriram um canal. João depositou 10 Bitcoins neste canal e Maria depositou 5 Bitcoins.

Agora, vamos imaginar que Maria tenha um canal de pagamento aberto com Antônio. Se João quiser pagar Antônio, eles poderão fazer isso via Maria. É uma espécie de conta de compensações. Somente as transações de abertura e fechamento do canal de pagamento é que são registradas no Blockchain. Todas as transações que ocorrem entre os canais de pagamento não são registradas no Blockchain e, por isso, são instantâneas e possuem custo muito baixo.

Desde janeiro de 2018, usuários com conhecimento técnico começaram a experimentar os benefícios da LN na MainNet (na rede principal, ou seja, com Bitcoin de verdade). De lá para cá, houve crescimento exponencial de adoção e uso da tecnologia. Mas vale dizer que ela ainda está restrita para pessoas com bastante conhecimento técnico.

Algumas aplicações lightning (Lapp, na sigla em inglês) já estão em funcionamento. O mais incrível delas é ver o potencial revolucionário das micro-transações. Por exemplo, o Satoshi’s Place é uma aplicação que utiliza arte para ilustrar a utilização da LN. Em um quadro digital único, qualquer pessoa pode desenhar o que quiser e pagar para publicar o seu desenho de acordo com o número de pixels desenhados. Para cada pixel, paga-se um satoshi (0.00000001 Bitcoin). Já existem lojas, jogos e uma série de outras aplicações desenvolvida na LN.

 

3) Assinaturas Schnorr

No início de julho, Pieter Wuille, o segundo desenvolvedor que mais contribuiu com o código do Bitcoin na história, publicou a tão aguardada proposta para adicionar assinaturas Schnorr ao Bitcoin. Isso seria uma grande atualização para o protocolo se conseguirmos obter consenso e implementá-lo via soft fork. A razão para isto é tripla.

Primeiro, essa proposta torna o Bitcoin mais escalável e robusto, pois reduz enormemente a quantidade de espaço ocupado pelas assinaturas em cada bloco. Ela faz isso permitindo que os indivíduos usem uma assinatura para enviar Bitcoins oriundos de vários endereços e que tenham como destino um único endereço, ao invés de ter uma assinatura exclusiva para cada endereço de origem como funciona atualmente. Isso ajudará a economizar espaço nos blocos em pelo menos 25%, segundo alguns cálculos preliminares.

Em segundo lugar, as assinaturas do Schnorr tornarão proibitivamente caro a realização de spam na rede, como alguns estavam fazendo no final do ano passado. Como as assinaturas normalmente ocupam a maior parte dos dados dentro de transações e blocos, permitir que as pessoas usem menos assinaturas via Schnorr fará com que os spammers incorram em um trabalho e gasto muito maior do que atualmente para tentar criar um spam de transações com o intuito de inundar a rede do Bitcoin.

Por fim, as assinaturas Schnorr adicionadas ao protocolo seriam um grande passo em direção à privacidade na rede. As assinaturas de Schnorr são necessárias para muitas das tecnologias de fungibilidade que as pessoas querem adicionar ao Bitcoin no futuro.

Além de tudo isso, nos permitiria adicionar Scriptless Scripts, o que tornaria possível habilitar uma linguagem de contratos autoexecutáveis em cima do Bitcoin. Em suma, Pieter Wuille deu o primeiro grande passo para tornar o Bitcoin um sistema mais eficiente, seguro, robusto e privado.

 

4) Carteira com privacidade avançada

Durante a conferência técnica Building on Bitcoin, realizada na primeira semana de julho em Lisboa, em Portugal, muitas novidades foram anunciadas, entre elas o lançamento da carteira de Bitcoin Wasabi, anunciada pelo desenvolvedor Adam Ficzor. Trata-se de uma nova implementação do projeto anteriormente conhecido como HiddenWallet.

No entanto, a Wasabi foi reescrita do zero para adicionar uma variedade de novos recursos, como privacidade em um blockchain público. Usuários tecnicamente proficientes ficarão satisfeitos em saber que a Wasabi é uma carteira compatível com ZeroLink que usa Chaumian CoinJoin e torna o usuário anônimo em 100% do tempo.

Em termos leigos, a Wasabi impede que as empresas de análise de blockchain e outros pessoas interessadas na sua vida financeira pessoal espionem suas transações de bitcoin. Ela faz isso automaticamente ao “misturar” seus Bitcoins com os fundos de outros usuários quando você inicia uma transação. Isso torna muito mais difícil para um observador decifrar o remetente e o destinatário de pagamentos específicos. Ao contrário de alguns serviços de mixagem, a Wasabi realiza tudo isso sem a ajuda de um coordenador centralizado, garantindo que não haja um único ponto de falha.

Este nível de privacidade foi alcançado através da implementação de Propostas de Melhoria de Bitcoin (BIPs) 157 e 158, que descrevem um protocolo pelo qual um cliente leve pode sincronizar com o blockchain sem sacrificar a privacidade. A carteira também inclui suporte padrão para o Tor, e — no interesse da privacidade do usuário — não pode ser usado sem ele.

Como a maioria dos serviços de mixagem, a Wasabi cobra uma taxa de mixagem, que será de 0,3%, bastante abaixo das taxas de 3% ou mais cobradas pelos serviços de mixagem.

O lançamento beta de Wasabi está agendado para 1º de agosto, embora os usuários experientes em tecnologia possam cloná-lo no GitHub e começar a executá-lo imediatamente.

 

5) Tokenização de ativos no Bitcoin

Você já deve ter ouvido falar dos CryptoKitties, os gatinhos virtuais que foram criados em cima da plataforma do Ethereum. Esses gatinhos são, na verdade, ativos digitais emitidos em cima de um blockchain público. Pelo menos duas iniciativas pretendem oferecer a possibilidade de emissão de ativos em cima da rede do Bitcoin. Uma delas é uma rede paralela (sidechain) desenvolvida pela Blockstream, empresa de desenvolvimento de software que possui como funcionário alguns dos principais desenvolvedores do Bitcoin Core. Batizada de Liquid, essa sidechain foi mostrada aos usuários durante a última conferência Consensus, realizada em maio, em Nova York.

Esses ativos emitidos na Liquid podem representar instrumentos financeiros existentes como dinheiro fiduciário tokenizado, ativos de criptografia, ativos certificados (por exemplo, moedas de ouro) ou ativos completamente novos. Os usuários realizam transações particulares por meio da tecnologia conhecida como Confidential Transactions que oculta o valor e o tipo de ativo em uma transação que envolva terceiros.

Além dessa iniciativa, o desenvolvedor Giacomo Zucco, da BHB Network, anunciou durante a Building on Bitcoin, em Lisboa, a sua proposta para criação de um protocolo, denominado RGB, que padronize a emissão de ativos no Blockchain do Bitcoin. Ainda em fase de angariação de desenvolvedores para trabalhar no código, a proposta chama atenção principalmente por ter Zucco à frente do projeto.

 

Conclusão

A história do Bitcoin é uma história de constantes melhorias e inovações. Como disse no início do texto, esse desenvolvimento precisa ser feito de forma lenta e sólida para que não haja problemas nos códigos que possam colocar em risco os fundos dos usuários da rede. De qualquer forma, o futuro tecnológico do Bitcoin parece muito promissor.

COMPARTILHAR
Fotógrafo que conheceu a tecnologia do Bitcoin em 2011. Desde então, atua na compra e venda de bitcoins no mercado peer-to-peer (P2P) de larga escala. Ele também trabalha com mineração de Bitcoins e possui uma fazenda própria de mineração na China.
Siga o Criptomoedas Fácil no InstagramCLIQUE AQUI !!!