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Especial Mulheres na Blockchain – Rosine Kadamani

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O Criptomoedas Fácil tem o prazer de apresentar a segunda parte da série Mulheres na Blockchain, a qual tem o objetivo de abordar a atuação feminina no mercado de criptomoedas, além de conhecer as principais iniciativas criadas por mulheres no universo das moedas digitais.

Rosine Kadamani se formou em Direito, porém após 13 anos atuando na área do direito bancário ela conheceu o universo cripto. Atuando e estudando o mercado desde 2014, Rosine tornou-se conhecida por ser co-fundadora da Blockchain Academy, uma das mais conhecidas instituições de educação sobre Blockchain no Brasil. A Blockchain Academy possui cursos voltados não apenas para o universo do Bitcoin, mas também para outras tecnologias, como o Ethereum. Desde 2016, foram mais de dois mil alunos que passaram pelos diversos cursos oferecidos pela empresa.

Além de co-fundadora da Blockchain Academy, Rosine é palestrante e possui um grande ativismo dentro da comunidade brasileira. O Criptomoedas Fácil resolveu bater um papo com ela sobre todas essas atividades, e o resultado foi uma rica entrevista. Confira:

Criptomoedas Fácil: Bom dia, Rosine. Vamos começar a entrevista falando um pouco sobre você e o seu trabalho para apresentá-la aos leitores.

Rosine Kadamani: Bom dia! Sou advogada de formação, atuei com direito bancário por 13 anos. Desde 2014 estudo sobre Bitcoins e interajo ativamente com os participantes deste universo. Juntamente com parceiros argentinos, o time que fundou a associação argentina de Bitcoins, bem como a plataforma RSK, organizei um evento em 2015 voltado para o mercado financeiro e de capitais. O Banco Central também estava na audiência, foi a primeira vez que boa parte dos integrantes teve contato com o tema.

A partir de então, faço esforços para o bom desenvolvimento do ecossistema na medida da minha limitada capacidade, mas tenho grande interesse em ver o ecossistema se desenvolvendo bem e com escala. Atualmente, e desde 2016, estou focada na Blockchain Academy, projeto do qual sou co-fundadora e que visa formar profissionais com conhecimento de alta qualidade sobre criptomoedas e plataformas do tipo blockchain. Somos o primeiro projeto do Brasil focado totalmente em educação, e um dos primeiros do mundo. Já tivemos mais de dois mil alunos oficialmente, sempre em aulas presenciais.

CF: como surgiu a ideia de criar a Blockchain Academy?

RK: Assim como eu, diversos profissionais vinham fazendo gratuitamente esforços de estudo e de difusão de conhecimento sobre criptos. Ao perceber que boa parte do público que potencialmente poderia interessar-se em desbravar o potencial das criptomoedas e do blockchain ainda precisaria entender do que estávamos falando – e que nós mesmos ainda tínhamos bastante para aprender antes de realizar transformações concretas -, percebi valor no próprio conteúdo educativo como um produto e decidi propor a alguns parceiros que fizéssemos o trabalho de educação de forma mais estruturada.

Em paralelo, também percebi que alguns dos pontos centrais de discussão, como a regulação, dependiam de bom nivelamento de conhecimento das pessoas envolvidas, e que abordar tais pontos, assim como as características da tecnologia de maneira neutra e não enviesada, comercialmente seria a maneira mais efetiva de eu realmente contribuir com o crescimento do mercado.

CF: Por que a decisão de empreender na área de educação ao invés de trabalhar com a tecnologia em si? (Na área de desenvolvimento, por exemplo.)

RK: Notamos que a comunidade estava muito focada na discussão sobre criptoativos e investimentos. Na época, existiam poucos grupos discutindo, de uma forma mais consistente, sobre os usos e aplicações possíveis da Blockchain nas empresas, no governo, nas cidades e em diversas outras áreas. Era preciso fomentar uma massa crítica maior e mais diversa sobre o tema. Agora que o mercado já está ficando mais instruído, acredito que estejamos em um momento mais interessante para começar a pensar em consultoria e desenvolvimento de projetos.

CF: Quais os cursos disponíveis na Blockchain Academy atualmente?

RK: O nosso carro-chefe é o Immersion Day, que consideramos como base e pré-requisito de todos os demais cursos. Em oito horas, apresentamos os conceitos básicos e como se correlacionam, assim como transmitimos elementos para a formação de um espírito crítico mais estruturado – inclusive promovemos reflexões sobre o contexto tecnológico atual e transmitimos noções gerais sobre rumos da legislação. Os participantes já saem capazes de entender e acompanhar bem as notícias, bem como de interagir com quaisquer consultores.

Os profissionais e empresas que queiram começar a entender o que se pode construir de fato com Blockchain podem, em seguida, engrenar no Blockchain Network Design, também de oito horas. Neste módulo, o meu sócio Thiago transmite à turma sua experiência sobre novos formatos de rede e sobre a complexidade e a sua relação com blockchain, e em seguida orquestra uma sessão de co-criação.

Também como conteúdo básico, nas propostas in company oferecemos Introdução às criptomoedas e plataformas do tipo blockchain, de quatro horas, para grandes grupos que queiram ter um contato mais breve e generalista com este universo.

Já estamos rodando bem o Introdução ao Ethereum – para desenvolvedores. Os últimos foram estruturados em 16 horas e liderados pelo Pedro Saulo, desenvolvedor full stack bastante apurado tecnicamente que proporciona à turma um conteúdo equilibrado entre teoria e início de desenvolvimento de soluções práticas na plataforma Ethereum.

Além destes, já iniciamos a estruturação de mais quatro cursos com parceiros interessantíssimos, que não vou abrir para não estragar a surpresa.

CF: Qual o perfil dos alunos que passam pelos cursos da empresa?

RK: Atendemos especialmente o mundo corporativo. Os cursos que chamamos de “abertos” – aqueles que abrimos ao público em geral através do nosso site – têm sido repletos de profissionais dos mais variados perfis – profissionais de TI, advogados, empreendedores, empresários. Já nos nossos cursos in company, fomos contatados por diversos órgãos regulatórios (Banco Central, CVM), bancos (banco Votorantim e o banco Carrefour, da Colômbia), empresas de consultoria (McKinsey) e também da área de tecnologia (Oracle, TIVIT, Provider).

CF: Como você avalia o mercado de educação em Blockchain e criptomoedas no Brasil?

RK: Acredito que exista muita demanda por conteúdo informativo, e que portanto este mercado tem potencial de crescer. A maior parte do bom conteúdo ainda precisa ser acessado de fora. O conteúdo introdutório tende logo a virar uma commodity, sendo que devem prevalecer aqueles que puderem apresentar conteúdo mais evoluído.

CF: O projeto Women In Blockchain tem como um dos objetivos destacar a participação feminina no mercado e também os projetos tocados por mulheres. A Blockchain Academy contribui de que forma para o projeto?

RK: A Blockchain Academy tem a diversidade no seu DNA. É a co-existência de perfis múltiplos que permite e impulsiona sua existência e continuidade. Acreditamos bastante no Women in Blockchain como um projeto que traz visibilidade à questão da mulher e provoca reflexões positivas sobre o assunto, assim como uma rede de integração de diversos agentes sensibilizados pela questão. Interessante o esforço de trazer homens junto para a discussão.

CF: Uma pesquisa lançada pelo Criptomoedas Fácil em dezembro de 2017 mostrou que 70% das mulheres que investem em criptomoedas pretendem continuar investindo ou aumentar seus aportes em 2018. Como você avalia essa participação feminina dentro do mercado e quais os potenciais que poderemos ter para este ano?

RK: Acredito que quaisquer pessoas que conheçam mais do assunto tendem a interessar-se como investidores. Um número que eu também gostaria de ver crescer é o percentual de mulheres ousando começar a investir em criptos e no mercado em geral.

CF: Para você, existem obstáculos que impedem uma maior participação de mulheres no mercado? Quais seriam?

RK: Sim. Acredito que o maior obstáculo seja o social. No geral, na nossa cultura, mulheres foram mais incentivadas a exercer funções familiares e a serem mais conservadoras, e isso acaba influenciando suas decisões profissionais – por suas ações diretas assim como pela percepção do mercado sobre elas, ainda que muito seja ação inconsciente e não verbalizada.  Mas também acredito que este obstáculo possa e deva ser superado com esforços de mulheres e homens para conscientização e mudança.

CF: Quais são os planos da Rosine Kadamani e da Blockchain Academy para 2018?

RK: O nosso principal plano é manter e ampliar a grade multidisciplinar recorrente e de alto nível de cursos presenciais em torno do tema de criptomoedas e plataformas do tipo blockchain. Em paralelo, estamos estruturando outras frentes de atuação: (i) pesquisa, com a liderança da Tatiana Revoredo, (ii) conteúdos e cursos online, (iii) uma plataforma de conteúdos, (iv) um espaço exclusivo Blockchain Academy para o desenvolvimento de atividades e cursos, (v) e uma iniciativa para alavancar ideias e projetos que tenham a intenção de desintermediar ou criar novos formatos de relação.

CF: Obrigado pelo seu tempo e disponibilidade, Rosine. Deixo agora o espaço aberto para seus comentários.

RK: Primeiro, parabéns pela iniciativa. Dar visibilidade para as mulheres é um grande passo para sua visibilidade e reconhecimento. Quero também aproveitar para fazer um apelo: o Facebook está nos impedindo de fazer promoções dos cursos e o PayPal nos mandou uma mensagem expressamente informando que deixariam de trabalhar conosco se continuarmos aceitando cripto. Lamentamos profundamente este tipo de atitude vindo de empresas que nasceram da inovação, por não fazerem diferenciação entre um projeto educativo profissional como o nosso de outras atividades que supostamente devam ser combatidas. Além de outras ações que possamos fazer, contamos com o apoio da comunidade para nos ajudar a reverter isso.

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