Empresas de blockchain têm dificuldade para abrir contas na Suíça, mas isso pode mudar

Em nossa missão pela Europa identificamos que, diferente da Estônia, país no qual uma startup pode abrir uma conta bancária sem nem mesmo precisar comparecer à agência, aqui na Suíça a operação não é tão simples e chega a ser imensamente burocrático abrir uma conta bancária na rede bancária do país, especialmente para uma empresa de blockchain.

Durante muito tempo, a nação ficou conhecida como um paraíso fiscal, atraindo pessoas de todo o mundo que buscavam lavar dinheiro sujo conquistado de diversas formas por meio de ações ilegais em seus países. Entretanto, pressionada pela comunidade internacional, a Suíça aderiu à uma convenção internacional desenhada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que obriga o país, e com isso todo o sistema bancário que o integra, a compartilhar de forma automática os dados de contas bancárias de estrangeiros com as autoridades fiscais dos países de origem.

O Criptomoeda Fácil identificou que a adoção à esta convenção, que exige o cumprimento de rigorosos requisitos de AML e KYC, aliada a outras práticas têm impedido que o ecossistema blockchain floresça ainda mais na terra do Cripto Valley, que já foi responsável por “trazer” para a Suíça cerca de 400 startups e empresas que fazem utilizam criptomoedas ou blockchain em seus negócios.

Agora, como mostra o portal Cash.ch, um grupo de trabalho foi montado para ajudar a sanar estas barreiras e permitir que as startups abram suas contas bancárias de forma mais rápida e simples. O diretor financeiro de Zug, Heinz Tännler, juntamente com o diretor financeiro da Zurich Ernst Stocker, levaram o problema para Ueli Maurer, do Conselho Federal do país, informando que apesar de todo o investimento Suíço em criar e incentivar hubs de inovação, o país pode perder muitos negócios para outras nações com ambientes bancários mais amigáveis.

“Não pode ser que a Suíça perca uma indústria inovadora porque impossibilita transações de pagamentos”, disse Tännler, acrescentando que a blockchain oferece um grande potencial para a Suíça.

Maurer então convocou uma reunião com representantes do Banco Nacional Suíço (SNB), da Secretaria de Estado para Assuntos Financeiros Internacionais (SIF), Autoridade Supervisora do Mercado Financeiro Suíço (FINMA), SBA, Hypothekarbank Lenzburg e dos cantões de Zurique e Zug que concordaram com a criação de um grupo de trabalho liderado pela Associação dos Banqueiros Suíços (SBA, na sigla em inglês), encarregado de elaborar recomendações para os bancos sobre como lidar com empresas blockchain no que se refere a contas bancárias.

Ainda não está claro quando o grupo iniciará suas atividades e nem os prazos para apresentar as primeiras recomendações para os bancos.

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