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Conheça SmartDrops, uma nova forma de dar criptomoedas grátis

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Conheça SmartDrops, uma nova forma de dar criptomoedas grátis

Quem já leu alguma coisa sobre criptoativos certamente já ouviu falar em airdrops. Os airdrops são uma conhecida forma que projetos em fase de oferta inicial de moedas (ICO, na sigla em inglês) ou em outras fases iniciais encontraram de atrair novos usuários. Basicamente, o airdrop é uma distribuição gratuita de tokens no mercado, geralmente feita em troca de algumas ações que o usuário precisa completar – como criar uma carteira ou se inscrever em algum formulário.

Mas será que eles ainda são úteis?

Embora juristas ainda estejam alheios do mecanismo, usado recentemente para distribuir tokens para aqueles que já possuem criptomoedas ou (como falado acima) cumprem algumas funções, várias startups e observadores da indústria já acreditam que essa distribuição poderia ser feita de uma maneira melhor.

O conceito de “smartdrops” parece ter atraído alguma atenção depois de um post do Medium, feito em julho pelo fundador da Yeoman’s Capital e investidor da indústria de longa data, David Johnston. Nele, Johnston encorajou as startups de blockchain a evitarem o que se tornou uma abordagem padrão para airdrops – descarregar tokens para todos através de um endereço ethereum – e mudarem para uma abordagem mais direcionada.

Na prática, Johnston disse ao portal CoinDesk que isso significa “escolher de forma inteligente os destinatários de um airdrop e doar uma quantidade significativa de valor para eles”, com o objetivo de atrair usuários reais para participar do “bootstrap inicial de um sistema.”

Abordagem mais prática e com foco

Esta nova alternativa parece estar ganhando força. Afinal, trata-se de um modelo que traz um maior foco em distribuir tokens para os usuários que de fato irão utilizá-los, ao invés de distribuir para dezenas de pessoas que, provavelmente, irão deixá-los “levando poeira” dentro de uma MEW (My Ether Wallet).

Por exemplo, já existem precedentes para essa abordagem. Johnston diz em seu artigo que ele meramente registrou as melhores práticas e deu “substância à essa ideia que muitas pessoas já observaram”, especificamente apontando para os projetos Dfinity e Polymath como exemplos de projetos que conduziram smartdrops.

Em junho, a Dfinity anunciou planos de liberar US$35 milhões em seus tokens para membros da comunidade que se submeterem (e passarem) por um processo de verificação com práticas de conheça seu cliente (KYC) e de combate a lavagem de dinheiro (AML).

Da mesma forma, novas empresas surgiram para facilitar os processos de smartdrops. A TRM Labs, por exemplo, recentemente lançou uma plataforma (chamada SmartDrops, é claro) que permite que os projetos distribuam tokens para selecionar usuários e oferece análises aos emissores.

Assim como Johnston, parece que muitos interessados em criptoativos têm grandes esperanças para o novo e melhorado modelo, e acreditam que ele poderia resolver problemas associados a outros métodos de distribuição de tokens, como as ofertas iniciais de moeda (ICOs), as quais se mantém sob escrutínio regulatório e críticas da indústria desde sua explosão, em 2017.

Priorizar a comunidade

É importante destacar que a adoção de smartdrops como principal meio de distribuição de tokens não necessariamente tornaria as ICOs obsoletas.

“Eu ainda posso ver um lugar para vendas de tokens, mas me parece que eles deveriam ser feitas muito mais tarde, depois que a empresa já construiu uma comunidade, depois de ter um projeto de software real”, disse Johnston.

Isso porque, em última análise, Johnston continuou, projetos de software são sobre a construção de comunidades de usuários.

“É fundamental ter uma comunidade e um software real primeiro, porque as pessoas podem se tornar vítimas de seu próprio sucesso”, disse ele, acrescentando que:

“Se eles têm um monte de dinheiro, então perdem a disciplina de ter que entregar. Levantar dinheiro não deve ser o objetivo principal; levantar dinheiro é apenas uma maneira de entregar o software.”

Uma das pessoas que está ciente disso é Hainsworth, do Open Garden. Como resultado, o Open Garden, um projeto descentralizado de Wifi apoiado pela Future/Perfect Ventures, está adotando “uma abordagem invertida”.

“Estamos lançando o produto, fazendo um smartdrop para dar tokens que os usuários possam começar a usá-los na rede, demonstrando utilidade e, depois que tivermos utilidade suficiente na rede, distribuiremos nossos tokens para os investidores”. Hainsworth disse à CoinDesk. O airdrop também coincidirá com o lançamento oficial do protocolo ao vivo do projeto, ou mainnet, que, segundo Hainsworth, foi “construído pronto para ser usado”.

O Open Garden distribuirá 1 bilhão de tokens OG em um esforço para encorajar as pessoas a usar sua plataforma de compartilhamento de Internet e varejo. Usando a rede em malha, o protocolo, que é construído sobre a blockchain da Stellar, permite que indivíduos vendam e paguem por uma conexão à Internet com seu token, tudo dentro de um aplicativo de smartphone (atualmente disponível apenas para Android).

Precificar os tokens

No entanto, não é suficiente apenas dar tokens aos usuários “certos”. Uma decisão significativa que os projetos devem fazer é a porcentagem de tokens a serem distribuídos e o preço desses tokens.

Conforme relatado anteriormente pela CoinDesk, a falsificação dos números pode colocar em risco a confiança dos investidores e pode até mesmo deixar um projeto incapaz de atender a demanda dos tokens com o fornecimento. De acordo com Johnston, os projetos devem se concentrar na porcentagem de tokens que planejam distribuir e, para ele, deve ser uma mentalidade de “vá em frente ou vá para casa.”

Em seu smartdrop, a Open Garden planeja distribuir pouco menos de 5% de seus tokens totais (o que Hainsworth disse que seriam centenas de dólares por participante), em uma distribuição de duas fases.

Hainsworth afirmou que a porcentagem de tokens que o projeto decidiu distribuir tem como objetivo permitir circulação e liquidez dentro da rede, porque compartilhar conectividade com a Internet requer a capacidade de realizar muitas micro-transações (os provedores podem cobrar até mesmo por megabyte).

Mas até então, cabe aos próprios projetos determinar qual preço será o certo.

“Nosso objetivo é construir utilidade real e nos tornarmos o primeiro e maior uso de tecnologia blockchain pelo consumidor até o final do ano”, disse Hainsworth, otimista, acrescentando:

“Honestamente, é assim que as empresas reais devem operar.”

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Coach financeiro, escritor e colunista no Criptomoedas Fácil. Jogador de poker, ambos por paixão e vocação.