What´s real for you (O que é real para você?), será que podemos responder ao questionamento de Matrix? Talvez quem sabe, ali, naquela Avenida, um tanto quanto normal, povoada de gente conectada em busca de encontrarem a si mesmas numa tela longe delas próprias, um ‘dejavu‘, não esteja mudando o código da rede em busca dos últimos habitantes de Zion, reunidos no maior festival Hacker da America Latina? Seria o Roadsec a nossa Nabucodozor? Não podemos precisar com certeza, mas o fato é que ali, na região da Barra Funda, estiveram reunidos, neste último sábado, 11 de novembro, os arautos dos novos tempos em tecnologia, segurança e hacker de todo o continente. Take the red pill.

Oh John porque me abandonaste!

Nos espaços da Rodsec SP 2017, Black e White Hats circulavam conectados em busca de brechas em códigos e falhas de hardware mas também um tanto quanto decepcionados pois o Oráculo, John Draper, não iria mais distribuir seus bolinhos para Neos, ansiosos por suas palavras reveladores sobre hacking seguro, o importante papel da tecnologia na sociedade e como é imprescindível manter a segurança desta rede de comunicação,  tão solida a ponto de mudar a sociedade e tão frágil que pode ser quebrada com um apito. Draper foi “cortado” de ultima hora, sem, até o momento, um pronunciamento oficial.

Entretanto, enquanto uns procuraram seguir, como um mantra, o lema Cyberpunk, “não ha liberdade sem privacidade“, outros procuraram a Dangerous Things para implantar chips em seus corpos, por R$ 490, em busca, de novas habilidades, Robocob? Ciborgue? Baterias da Matrix? quem sabe… uma das principais características da Roadsec, segundo o próprio Anderson Ramos, idealizador do evento, é justamente esta, não há respostas, apenas, a grande magia da duvida e da diversidade.

Por caminhos diversos

Diversidade que contou com aproximadamente 4 mil pessoas circulando durante todo o evento, seja acompanhando as palestras de nomes como Bryce Case, Kelvin Clark, Erick Wendel, Erick B. Tedeschi, Beatrys Fernandes Rodrigues, Roberta Robert;  “duelando” para abrir fechaduras sem chaves ou simplesmente escutando os Dj´s que fizeram do Audio Club uma verdadeira “balada” eletrônica.

As trilhas que percorreu a nave mãe, “Segurança“, “Hacking“, “Tecnologia“, “Carreira“, “Comunidade” e “APPSec“, conduziram os participantes para, praticamente, todos os campos da tecnologia de comunicação, abrindo caminhos não só para o conhecimento como para o emprego. Diversas empresas, como Itaú e IBM, por exemplo, montaram estandes ou enviaram “olheiros” para o Roadsec em busca de recrutar os melhores hackers capazes de ajuda-los a corrigir problemas em seus códigos antes que outros o façam. Draper teria ficado feliz, faça o que eu digo e não o que eu faço (ou fazia).

Nakamoto e revolução blockchain

Não poderia faltar na Roadsec a “vedete” de 2017, o Bitcoin, a moeda virtual criada por Satoshi Nakamoto que implodiu o mercado em 2017, saltando de menos de 1k para quase 8k (no momento da redação) e ganhou adeptos e inimigos em todos os campos, de governos a empresários, jogando, mais do que nunca, na primeira moeda descentralizada, open source e de livro publico distribuído, associada, inicialmente ao universo Hacker, mas que ganhou espaços e chegou até a CME, a bolsa de Chicago, a maior bolsa de ativos futuros do mundo. To the moon? Talvez, mas na Roadsec, o Bitcoin era mais do que bem aceito.

Mas nem só de Bitcoin se alimenta o homem, também era possível conhecer a Zcash, a criptomoeda que tem investido em diversas soluções, principalmente para o anonimato, também contou com um estande no evento e um sorteio de duas paper wallet com 1 ZEC, assim como a FoxBit que tem marcado presença em todos os principais eventos “Bit” do país, na Road, a Fox, além de sortear cartões com quantidade de Bitcoins não revelados, também  trabalhou sua parte educacional.

O mundo cripto estava bem representado com nomes de peso como, Zooko Wilcox, CEO e Fundador da Zcash, que fez uma palestra sobre “A história das criptomoedas e o projeto Zcash”; enquanto Marc Ziade, Diretor de Operações e Estratégias de Negócios da ConsenSys, fez uma palestra sobre “A tecnologia Disruptiva do Blockchain (Overview of the blockchain technology, bitcoin, ether and tokens)”, abordando conceitos mais técnicos como:  Proof-of-work, Smart Contracts, Tokens, Protocolo Blockchian, Ethereum, além de trazer algumas novidades da devcon3, a maior conferência de Ethereum do mundo que contou com todos os principais devs da moeda demonstrando seus projetos e debatendo as necessidades, problemas e evoluções da rede da segunda maior criptomoeda do mercado e, uma das principais tecnologias Blockchain hoje, sendo utilizada por inúmeras empresas como Microsoft, ONU entre outros.  Menos técnica e mais “mercadológica”, Rocelo Lopes, CEO e Fundador da Coinbr e CoinPY, também marcou presença com uma palestra sobre “Criptomoedas como alternativa de investimento”.

Se esta conectado, pode ser invadido

Sem duvida uma das principais atrações da “Road” é o Hackaflag, um “pega-bandeira” virtual em que o objetivo é invadir um sistema enquanto o outro grupo impede que isso aconteça. Individual ou em grupos, homens, mulheres, jovens e adultos, disputam, a melhor forma de quebrar os códigos e permitir a invasão da Matrix. O Hackaflag não é apenas um esporte, mas a principal plataforma em que os olheiros se detém em busca de profissionais. Caso não conseguiu acompanhar a Live do Hackaflag, você pode conferir os vídeos através do Twitch, clicando aqui !

O cenário de CTF no Brasil tem crescido bastante, e as empresas têm olhado para esse cenário como uma forme de recrutar profissionais“, conta Adriano. “A gente mesmo, que já trabalha na área de T.I. e segurança, a gente usa o CTF para gerar visibilidade para as empresas. Publicamos nossos resultados em campeonatos na internet justamente para as empresas olharem para nós.“, afirmou Adriano Ribeiro, um dos competidores e líder do time FireShell, durante o evento para o portal OlharDigital.

Revolutions

Do lado de fora, na Avenida Francisco Matarazzo, o cotidiano segue seu ritmo, parece que sem se importar que enquanto seus passos seguem, para garantir que aquele nude não caia na rede ou aquela senha, igual para todos os lugares, não seja revelada, há uma batalha silenciosa, de códigos e telas pretas, em que pessoas de todas as idades, classes ou crenças digladiam pela salvaguarda da privacidade, não apenas a deles, mas a de todos nós, procurando abrir as mentes para dizer que há muito mais no mundo virtual que Google, Youtube e Redes Sociais. A mulher de vestido vermelho esta passando, você pode acreditar nela ou abrir o código da sua mente. Roadsec: Escolha sua pílula.

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